Mais importante cidade da Região Metropolitana de Salvador (RMS), com uma costa litorânea superior a 40 quilômetros de praias, o que confere ao município forte potencial turístico, Camaçari completou 263 anos (28 de setembro), resguardado de características geográficas e de infraestrutura que contribuem para atrair frequentemente novos empreendimentos residenciais e comerciais.

O prefeito Elinaldo Araújo destaca que a sua gestão tem desenvolvido ações visando definir políticas urbanas que incrementem o novo Plano Diretor de Desenvolvimento Urbano (PDDU). “Uma coisa eu posso garantir: Camaçari vai ter um dos mais modernos e sustentáveis planos diretores do país”, afirma o gestor municipal.

O desenvolvimento urbano em Camaçari, de acordo com Elinaldo, vem sendo constatado com o aumento na busca do setor empresarial para a instalação de novos empreendimentos imobiliários. “Somente este ano, já percebemos um crescimento considerável do setor, algo em torno de 52%. Deste total, observamos que a busca por projetos na orla é 80% maior do que na sede”, relata.

O gestor ressalta, ainda, que o planejamento tem se baseado nos processos de licenciamentos. “Tivemos, por exemplo, a construção de vários supermercados na orla, por conta desse aumento de fluxo.

A própria iniciativa privada, vislumbrando esse aumento significativo de demanda, tem investido na nossa cidade”. Apesar da crise econômica, o prefeito afirma que uma série de investimentos está sendo executada em todas as localidades de Camaçari, com recursos de financiamentos do Banco de Desenvolvimento da América Latina, da Caixa Econômica e do Financiamento à Infraestrutura e ao Saneamento (Finisa).

A Secretária de Desenvolvimento Urbano e Meio Ambiente (Sedur), Andréa Montenegro, comemora o atual momento de desenvolvimento urbano de Camaçari.

“Completarmos 263 anos é motivo de orgulho para todos nós, que aqui vivemos. Enquanto secretaria, temos buscado planejar melhor as ações de desenvolvimento urbano, no sentido de dar uma maior mobilidade e organização na nossa cidade. Camaçari tem sido uma das regiões que mais atraem investimentos, principalmente na costa litorânea. Os empreendimentos vêm a dar um ar de modernidade, organização e ordenamento ao município.Temos buscado fortalecer a celeridade dos processos de desenvolvimento urbano, bem como acolher bem os empreendedores e todos aqueles que querem contribuir para uma cidade melhor, assim como atender a população com geração de emprego e renda, a partir do desenvolvimento urbano”.

Desenvolvimento urbano

Para o presidente da Câmara Municipal, Júnior Borges, nos últimos anos, o município trilhou pelo caminho do desenvolvimento em vários setores, mas a atual administração tem focado no urbano. “Por muitos anos, Camaçari ficou parada no tempo, sem apresentar grandes projetos para uma cidade que já conta com mais de 300 mil habitantes.

O nosso governo repensou o desenvolvimento urbano e, com um olhar para o futuro, investiu em obras importantes, como a mobilidade urbana, a reestruturação do trânsito, o alargamento de ruas e a requalificação de importantes avenidas.

A obra de duplicação do viaduto é uma das importantes ações da prefeitura no município que mais cresce na Região Metropolitana de Salvador”. O Plano Diretor de Desenvolvimento Urbano (PDDU) de Camaçari – que passa por ajustes até ser encaminhado à Câmara Municipal para aprovação – “está avançando em um ritmo bom”, segundo o prefeito Elinaldo. “Estamos fazendo um amplo debate com toda a população, ouvindo os mais diversos atores envolvidos, em todos cantos da cidade.

Nosso objetivo é construir uma revisão do PDDU que atenda às necessidades dos moradores. Em nada adianta a gente querer acelerar esse processo, fazer tudo de maneira muito açodada e acabar atropelando temas que são importantes”, diz.

O promotor de Justiça de Urbanismo e Meio Ambiente, Luciano Pitta, faz ressalvas em relação ao andamento do PDDU do município. “O processo de construção do Plano Diretor do município está muito lento”, considera. O órgão havia publicado no Diário Oficial do último 10 de maio reconhecendo que o PDDU de Camaçari deveria ser revisado, baseado no Estatuto da Cidade nº 10.257/2001, que define aos municípios com população superior a 30 mil habitantes a revisão do seu Plano Diretor em até dez anos. “E Camaçari já tem 13 anos da última revisão do seu PDDU, que é de 2008.

A prefeitura alegou a pandemia como motivo do atraso”. Por conta do atraso, o Ministério Público do Estado da Bahia (MP-BA) instaurou um procedimento administrativo com o objetivo de solicitar informações atualizadas acerca das medidas que estão sendo adotadas em relação à revisão do PDDU. 

A regulamentação das políticas ambientais de Camaçari, visando a revitalização da indústria e o crescimento sustentável, é defendida pelo vereador Gilvan Souza. “Este plano, que será o mais técnico e propositivo do município, deverá contemplar as mudanças de hábito e reflexos socioeconômicos do pós-pandemia. Nos últimos 15 meses, o município, sobretudo o litoral, passou de espaço de lazer e ocupação sazonal para primeira moradia. Estamos criando estratégias de desenvolvimento, com ordenamento e definição das áreas urbanas, rurais, industriais, mantendo e recuperando os espaços de proteção ambiental.

Temos que pensar em uma nova década de desenvolvimento econômico, em que a indústria não é mais o carro-chefe, necessitando de investimento em outros setores, como prestação de serviços, comércio e turismo”, avalia.

Município vizinho

Em Mata de São João, os projetos que balizam o crescimento do município vêm sendo elaborados a partir do Plano Diretor de Desenvolvimento Municipal (PDDM), que possui um prazo para atualização de dez anos, conforme Lei Federal nº 10.257/2001. De acordo com a Secretaria de Desenvolvimento Urbano e Meio Ambiente (Sedur), o PDDM de Mata de São João, que foi revisado pela última vez em 2011, está em processo de revisão. “Nós concluímos a fase de elaboração do Termo de Referência para fim de contratação de empresa especializada na realização desses trabalhos.

Caberá à Sedur a definição do que queremos, assim como a instrumentalização da empresa contratada com informações, vivência da realidade municipal e intermediação da mesma com os demais órgãos da estrutura municipal e comunidade”, explica a secretária Yuka Fujiki.

 

 

Com informações A Tarde