Militares dos EUA e de países aliados assumem controle do aeroporto de Cabul

Depois das cenas de caos e desespero na segunda (16), os Estados Unidos tentam organizar a retirada do Afeganistão de americanos, estrangeiros de outros países e afegãos fugindo do Talibã.

 

Soldados dos Estados Unidos e de países aliados assumiram o controle do aeroporto internacional de Cabul. Os voos para retirar estrangeiros da capital afegã decolam de hora em hora.

 

Desde que os voos foram retomados em Cabul, os aviões americanos aterrissam com soldados – agora já são quatro mil no aeroporto cuidando da segurança no local – e decolam levando do país americanos, estrangeiros de outros países e afegãos fugindo do Talibã.

 

Depois das cenas de caos e desespero na segunda-feira (16), os EUA tentam organizar a retirada de todos o mais rápido possível. Essa é agora a única e última missão do país no Afeganistão.

 

O presidente Joe Biden definiu o fim deste mês, o dia 31 de agosto, como a data limite para encerrar a operação no Afeganistão. E o Pentágono informou que a partir de terça-feira (17) tem capacidade para decolar um voo por hora, podendo retirar até nove mil pessoas por dia do aeroporto internacional de Cabul.

O governo não divulga números, mas a estimativa é de que milhares de americanos ainda estejam em Cabul.

Pesa sob os Estados Unidos, também, a responsabilidade com afegãos que trabalharam com os americanos nos últimos 20 anos e agora correm risco de vida. São dezenas de milhares que os americanos prometem transportar para fora dos domínios do Talibã.

Três bases foram preparadas em outros países para receber até 22 mil pessoas. Para que todos embarquem nos aviões, eles precisam chegar ao aeroporto. Mas o Talibã agora controla os caminhos de Cabul.

Mesmo que ainda não tenha sido divulgado um plano para essa chegada ao aeroporto, o conselheiro de Segurança Nacional dos EUA, Jake Sullivan, disse nesta terça que o Talibã prometeu providenciar a passagem segura dessas pessoas, e que ainda está conversando com o grupo para definir como e quando isso acontecerá.

Outros países também correm para resgatar seus cidadãos ou ajudar na retirada de afegãos. O Ministério da Defesa da Grã-Bretanha divulgou imagens de um avião que deixou Cabul com civis afegãos.

O responsável pela operação disse que “podia ver o desespero para escapar no rosto de todos que estão embarcando nos aviões. Famílias com filhos pequenos que estamos conseguindo levar, com esperança de salvar vidas”.

As autoridades britânicas estão convocando as pessoas para irem às proximidades do aeroporto, e disseram que o Talibã não está interferindo. Os britânicos pretendem retirar quatro mil pessoas de Cabul.

Os alemães aceleram a operação de retirada de seus cidadãos com aviões pousando no Uzbequistão. E a índia fechou seus consulados e a embaixada, e levou para casa 170 pessoas, incluindo o embaixador.

Antes que esses voos pudessem ser organizados, um drama se desenrolou na pista de decolagem. Quando os afegãos começaram a invadir o aeroporto no domingo (15), centenas chegaram a um avião cargueiro americano e forçaram a entrada. O avião tem capacidade para 134 passageiros. Mais de 640 entraram. A tripulação resolveu decolar mesmo assim, e homens mulheres e crianças, espremidos no chão da aeronave, chegaram em segurança a Doha, no Qatar.

O temor da volta da brutalidade do Talibã também leva pessoas a tentar escapar por terra. Centenas, incluindo mulheres e crianças, cruzaram a fronteira com o Paquistão nos últimos dias.

A Aliança Militar do Ocidente declarou nesta terça que a culpa do colapso das forças armadas e do governo afegão foi a falta de lideranças locais, e que o exército não quis lutar. A Otan ajudou a treinar 300 mil militares afegãos na última década, e disse ainda que o Talibã não pode permitir o retorno de grupos terroristas ao país.

Enquanto isso, os extremistas seguem tentando convencer os afegãos de que eles vão levar uma vida normal. Inclusive dizendo que as mulheres podem voltar ao trabalho. Mas as ruas, agora patrulhadas com carros da polícia que levam a bandeira do Talibã, permanecem pouco movimentadas e sem mulheres, enquanto todos tentam se adaptar à nova realidade e entender qual vai ser o futuro do país.

 

Com informações Jornal Nacional