O Talibã disse nesta terça-feira que permitirá, sob certas condições, que as mulheres continuem a trabalhar e que concedeu “anistia geral” a todos os funcionários do governo afegão. Para ativistas, contudo, a retórica não passa de uma operação de propaganda de um regime que busca o reconhecimento internacional.

"Os talibãs já começaram a ir de casa em casa para buscar mulheres ativistas", disse ao jornal espanhol El País a jornalista e defensora dos direitos humanos Humira Saqib.

Enquanto esteve no comando do Afeganistão, entre 1996 e 2001, quando foi derrubado pela invasão americana após os atentados do 11 de Setembro, o grupo fundamentalista aplicava no país uma versão ultraconservadora da lei islâmica. As mulheres eram proibidas de trabalhar fora de casa e de irem à escola a partir dos 10 anos.

À rede britânica Sky News, Suhail Shaheen, porta-voz do birô político, indicou que as mulheres vão ter que usar véu, mas não necessariamente a burca:

"A burca não é o único véu que pode ser usado. Existem outros tipos que não se limitam à burca", afirmou, mas sem especificar quais os outros tipos que serão aceitáveis para o Talibã.

As mulheres poderão trabalhar “caso desejem”, disse um porta-voz do grupo nesta terça, desde que dentro dos limites da lei islâmica. Isto significa, ele diz, que poderão ocupar cargos no governo, no setor privado e no comércio, por exemplo.

À Associated Press, um integrante da comissão cultural do grupo disse que o Emirado Islâmico — como o Talibã se autointitula — “não quer que as mulheres sejam vítimas”. No canal de televisão local Tolo News, uma jornalista mulher entrevistou um integrante do Talibã.

 

*Com informações O Globo