O Ministério da Saúde informou que 26.777 adolescentes foram vacinados no Brasil com AstraZeneca, Coronavac e Janssen, imunizantes não aprovadas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para a faixa etária de 12 a 17 anos. Os dados foram apresentados na coletiva concedida nesta quinta-feira (16), onde a pasta anunciava a não recomendação da vacinação contra a Covid-19 em adolescentes sem comorbidades.

De acordo a Secretaria Extraordinária de Enfrentamento à Covid-19 da pasta, os estados de São Paulo e Rio de Janeiro foram os que mais aplicaram imunizantes de outros fabricantes que não a Pfizer, única vacina aprovada pela Anvisa para ser aplicada em adolescentes no Brasil. Dos 1,3 milhão de vacinados em São Paulo, por exemplo, 6.912 adolescentes foram imunizados com outra vacina. No Rio de Janeiro, 1.924 pessoas nessa faixa etária foram vacinadas erroneamente. O suposto erro apontado pelo MS teria acontecido em todos os 26 estados da federação e no Distrito Federal.

Em nota, a secretaria estadual de Saúde de São Paulo afirmou que “destinou à rede de saúde apenas imunizantes da Pfizer para vacinação dos adolescentes de 12 a 17 anos. Com relação aos números apresentados pelo Ministério da Saúde de vacinados com Coronavac, Astrazeneca e Janssen, a pasta informou que “iniciou investigação para identificar quais tratam-se de erros de digitação em sistema e quais eventualmente sejam erros de aplicação vacinal.”

 

Em nota, a Bahia respondeu que “como a operacionalização da vacinação é de responsabilidade dos municípios, incluindo a aplicação e o registro nos sistemas do Programa Nacional de Imunizações, a Secretaria da Saúde do Estado irá solicitar dados adicionais ao Ministério da Saúde a fim de verificar quais as vacinas aplicadas nos adolescentes. Cabe ressaltar que a o único imunizante recomendado, até o momento, para a faixa etária de 12 a 17 anos é o da Pfizer/BioNTech. Segundo o MS, o estado da Bahia teria aplicado 1.470 doses da AstraZeneca, Coronavac e Janssen em adolescentes de 12 a 17 anos.

O Paraná informou que não confirma a quantidade de doses divulgadas pelo MS e que os adolescentes estão sendo acompanhados. Segundo o MS, o estado teria aplicado 1.102 doses de Astrazeneca, Coronavac e Janssen em adolescentes de 12 a 17 anos. A secretaria estadual de Saúde do Paraná alegou ainda que as “vacinas não indicadas para adolescentes que foram aplicadas no Paraná foram registradas no sistema e-SUS Notifica como vacinas realizadas inadvertidamente e todos que receberam estão sendo acompanhados”.

Em nota, o Paraná disse ainda que: “os municípios têm a orientação de fazer a notificação de casos de vacinas aplicadas inadvertidamente, ou seja, sem orientação e sem indicação para isso. A secretaria de Estado da Saúde do Paraná trabalha com os quantitativos de doses e orientações do PNI, as vacinas para os devidos públicos são indicadas pelo Ministério da Saúde e, portanto, o Paraná nunca utilizou doses destinadas a outros públicos para aplicação em grupos diferentes. O Paraná não iniciou efetivamente a vacinação de adolescentes pois não recebeu doses do Ministério da Saúde para isso. O único município do Estado que vacinou este público foi Toledo, pois é a única cidade do Brasil que realiza um estudo junto a Pfizer – e recebeu doses específicas para isso – para verificar como o vírus se comporta depois de toda a população vacinada com a primeira dose”.

 

A Secretaria de Saúde de Goiás informou que “o Estado de Goiás segue em investigação dos possíveis casos de doses aplicadas das vacinas da Janssen, CoronaVac (Butantan/Sinovac) Covishield (Astrazeneca/Fiocruz) nos adolescentes de 12 a 17 anos. Vale ressaltar que no quantitativo apontado também podem constar casos que envolve erros de registro”. De acordo com dados do MS, Goiás teria aplicado 578 vacinas da Astrazeneca, Coronavac e Janssen em adolescentes de 12 a 17 anos.

A Secretaria Estadual de Saúde do Mato Grosso negou que tenha ocorrido aplicação de doses de Astrazeneca, Coronavac e Janssen em adolescentes de 12 a 17 anos no estado. Em nota a pasta informou que: “não pactou, até o momento, doses para menores de 18 anos em Mato Grosso. O órgão estadual esclarece que segue estritamente as recomendações do Programa Nacional de Imunização (PNI), do Ministério da Saúde, e aguarda novo direcionamento sobre este público. A aplicação das doses é uma responsabilidade dos municípios. Cabe ao estado a distribuição da vacina”. Segundo o MS, Mato Grosso teria aplicado 383 doses da Astrazeneca, Coronavac e Janssen em adolescentes de 12 a 17 anos.

 

Em nota, a Anvisa diz que investiga a suspeita de reação adversa grave que teria ocorrido no estado de São Paulo em uma adolescente de 16 anos após aplicação da vacina da Pfizer, mas que “até o momento, não existem evidências que subsidiem ou demandem alterações nas condições aprovadas para a vacina.”

A Organização Mundial da Saúde (OMS) não recomenda a vacinação em adolescentes sem comorbidades, mas também não contraindica.

Em nota, a Secretaria Municipal de Saúde do Rio afirmou que vai apurar o que pode ter ocasionado a divergência nas informações disponibilizadas pelo Ministério da Saúde, de modo a verificar possíveis erros de registro. A pasta informou ainda que segue a recomendação da Anvisa e que a vacina utilizada na imunização o público adolescente menor de 18 anos é feita somente com doses da Pfizer.

A secretaria estadual de saúde de Santa Catarina informou que os dados de vacinação já estão sendo levantados pela Diretoria de Vigilância Epidemiológica (DIVE) para envio aos municípios que devem apurar a situação.

Caso tenha ocorrido erro de registro, os municípios devem fazer a correção no sistema; já no caso de doses aplicadas indevidamente, os municípios devem realizar o registro desta aplicação no sistema do Ministério da Saúde como Erro de Imunização, e realizar o acompanhamento destes adolescentes.

Com informações CNN