O fim que todos temiam se confirmou. O indigenista Bruno Araújo Pereira e o jornalista inglês Dom Phillips foram assassinados na região do Vale do Javari, no Amazonas. O pescador Oseney da Costa de Oliveira, conhecido como “Dos Santos”, foi preso na última terça-feira e confessou o crime, cometido ao lado do seu irmão, Amarildo dos Santos, o “Pelado”.

Oseney e e Amarildo foram flagrados por Dom e Bruno no dia 5 fazendo pesca ilegal de pirarucu. Acabaram sendo rendidos pela dupla, assassinados e tiveram os corpos esquartejados e incendiados, segundo a Polícia Federal.

A PF investiga se a pesca ilegal de pirarucu dos irmãos era feita para abastecer o tráfico de drogas na região. A região do Vale do Javari, considerado uma área do ‘Brasil autônomo’ (ou seja, sem controle dos agentes da lei), serve de rota para o tráfico de drogas vindo do Peru.

O pescado é vendido pelos narcotraficantes também na Colômbia, com o intuito de dar aparência de legalidade ao dinheiro fruto do tráfico de entorpecentes.

Bruno já havia denunciado que estaria sofrendo ameaças na região, informação confirmada pela PF. Segundo o indigenista e servidor aposentado da Funai, Armando Soares, ouvido em entrevista na Rádio Metropole, o narcotráfico agencia pescadores das comunidades ribeirinhas, que compram o pescado retirado ilegalmente da terra indígena do Vale do Javari.

A região abriga 6.300 indígenas de 26 grupos diferentes, sendo 19 deles isolados. É a maior concentração de povos isolados no mundo.

“Bruno Pereira estava atuando com os indígenas para fiscalizar a pesca ilegal na região e acredita que o indigenista pode ter sido assassinado por causa desse trabalho. “O trabalho de Bruno estava quebrando essa rede. Acredito que isso (o desaparecimento) pode ter sido uma vingança, uma retaliação. Há um mês Bruno fez uma grande apreensão de pirarucu”, explicou.

Soares também lembrou dos cortes de recursos do governo federal que têm inviabilizado o trabalho da Funai. “O governo Bolsonaro cortou todos os recursos da Funai, que está impossibilitada de trabalhar e os indígenas estão abandonados à própria sorte. Quem está fazendo a fiscalização daquela terra lá são os indígenas. Bruno estava ajudando os indígenas a fazer a fiscalização”, diz.

 

Fonte: Metro1