Força feminina transforma pequenos negócios e redesenha indústria em Morro do Chapéu

Força feminina transforma pequenos negócios e redesenha indústria em Morro do Chapéu

Laura Oliveira empreendedora em Morro do Chapéu – Foto: FIEBEmpreendimentos comandados por mulheres estão redesenhando o perfil industrial de Morro do Chapéu, na Chapada Diamantina. A produção de vinhos, biscoitos e licores por pequenos negócios locais promove desenvolvimento econômico, social e cultural na região. As iniciativas ganham relevância em um setor ainda predominantemente masculino, onde as mulheres representam apenas 25% da força de trabalho industrial no país. O protagonismo feminino na cidade baiana mostra que a indústria pode gerar impacto significativo mesmo sem operar em larga escala.A Vinícola Santa Maria exemplifica esse novo cenário, fundada pelas irmãs Laura Oliveira e Mayra Nunes a partir de um estudo da Embrapa. O empreendimento nasceu oficialmente em 2020 com investimento inicial de cerca de R$ 50 mil e hoje produz até sete mil garrafas por ano. A vinícola impulsionou o enoturismo na região, movimentando o comércio e serviços locais com visitas guiadas e eventos.“Foi um mundo totalmente novo para nós. Não fazíamos parte do universo do vinho, mas fomos nos apaixonando durante o estudo”, relatou Laura, que reconhece os desafios de atuar em setor masculino. “Inicialmente, há um estranhamento. Hoje, tenho muito mais segurança e entendo mais do negócio.”Outra liderança feminina é Sebastiana Figueiredo, presidente da Associação Comunitária e Assistencial dos Pequenos Agropecuaristas de Mônica (Acapam). A agroindústria Sabor da Roça produz mensalmente quase 30 mil pacotes de biscoito avoador à base de tapioca, gerando trabalho para 15 moradores do povoado, a maioria mulheres. Elas, que antes ganhavam cerca de R$ 35 semanais em culturas extrativistas, hoje recebem em média R$ 1.400 por mês.“Mudou radicalmente a vida dessas pessoas, temos fila de gente esperando uma vaga para trabalhar aqui”, contou Dona Aninha. Os biscoitos são vendidos em mais de 40 pontos comerciais na Bahia, Pernambuco e São Paulo. A associação planeja construir galinheiro e plantar mandioca para reduzir custos e ampliar produção.Maria Goretti Dourado, a Dona Goi, transformou em negócio a tradição familiar de fabricar licor para o São João. Com receita herdada da avó, ela produz artesanalmente a bebida que se popularizou entre amigos e familiares, além de geleias e doces de frutas da sua fazenda. Os produtos são vendidos em vários pontos de Morro do Chapéu, com boa saída especialmente entre junho e dezembro.“Se ama faça, caia de cabeça, não existe trabalho sem momentos difíceis. Devagar se vai ao longe”, aconselhou a empreendedora. A FIEB oferece suporte a esses pequenos negócios por meio de serviços como o Núcleo de Acesso ao Crédito (NAC), assessoria ambiental e sanitária, apoio à exportação e fortalecimento do associativismo empresarial.

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