Cantor forrozeiro, Dell Feliz – Foto: Sandra Mercês/Notícias da BahiaForrozeiros se reuniram na manhã desta quinta-feira (05), com o presidente da União dos Prefeitos da Bahia (UPB), Wilson Cardoso, para tratar da valorização dos artistas da terra nos festejos juninos na Bahia através de um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC).A proposta de TAC apresentada pelos coletivos de forrozeiros sugere que ao menos 50% das atrações das programações juninas sejam compostas por artistas baianos de forró, tanto em número de contratações quanto, preferencialmente, no volume de recursos investidos.Presente na reunião, um dos maiores nomes da atualidade no São João, o cantor Dell Feliz aponta problemas na Lei 14.133 que define regras para emissão de notas fiscais em shows públicos e segundo o artista, beneficia grandes escritórios. Dell que esteve nesta quinta-feira (05), no encontro dos forrozeiros com o presidente da União dos Prefeitos da Bahia, Wilson Cardoso, cobrou estrutura e valorização cultural dos artistas da terra.“A lei era a 8666, que foi substituída em 2021 pela 14133 que pede que os artistas apresentem três notas fiscais no valor daquele show que eles pleiteiam fazer. E eu acho que a lei peca muito porque ela restringe essas três notas, facilita a vida dos artistas que fazem parte dos grandes escritórios, que vendem de uma vez só 4, 5, 10 shows, eles resolvem o problema porque pegam uma nota para cada lugar daquele. Eles mandam as outras notas dos shows que foram vendidos de uma só vez e saem de um show de 100 mil para 500 mil, porque se a comprovação se restringe a nota, eles ficam sem limite”, explicou Dell Feliz.“E muitos que estão começando não tinham sequer como começar, porque como é que você começa a fazer um show se você precisa de três notas? Esse é um problema que eu já identifiquei. Desde que a lei foi implementada em 2021, a gente vem criticando e batalhando para que o artista que está começando, ele tenha uma possibilidade diferenciada para que ele tenha acesso a fazer o seu show”, explica o forrozeiro.O documento também prevê maior transparência nas contratações, com divulgação prévia das grades e dos valores pagos, além do respeito às legislações vigentes sobre contratação pública. Entre os pontos defendidos estão ainda o monitoramento do cumprimento do TAC pelo Ministério Público Estadual e pelo Tribunal de Contas dos Municípios, a atuação da UPB como articuladora e orientadora dos gestores municipais e o apoio institucional do Governo do Estado da Bahia, por meio de suas secretarias e órgãos de cultura.Outra crítica que Dell Feliz faz se trata do tratamento a artistas locais. Segundo o cantor, muitas vezes, eles enfrentam palcos sem estrutura adequada. “O que a gente ouve muito, e aí o meu comentário foi muito em cima disso, é da forma como são tratados os artistas locais, na maioria dos casos. Os artistas regionais, eles são às vezes colocados num palco diferenciado, sem estrutura, às vezes não tem camarim, então a gente fica muito sentido com isso, porque há uma luta pela causa, há uma sensibilidade, eu acho que essa cultura é riquíssima, a gente precisa ter a manutenção dessa originalidade da festa, pelo bem da festa, não só do ponto de vista econômico”, questiona Dell Feliz.Segundo os organizadores, a adoção do TAC pode resultar no fortalecimento do forró e da cultura popular baiana, na ampliação da geração de emprego e renda para artistas e trabalhadores da cultura, no uso mais equilibrado dos recursos públicos e na redução de conflitos jurídicos relacionados às contratações artísticas.
Forrozeiro Dell Feliz critica lei de contratações e defende artistas regionais no São João
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