O vereador de Salvador, Jorge Araújo (PP), fez duras críticas ao sistema de regulação da saúde pública na Bahia e à condução da área pelo governo estadual. A declaração foi dada em entrevista ao portal Mais Região durante a tradicional Lavagem de Arembepe, realizada em Camaçari, que começa nesta sexta-feira (13). Durante o pronunciamento, o parlamentar afirmou que diversos setores enfrentam problemas acumulados ao longo dos anos e disse que a população não suporta mais a situação atual. Jorge Araújo criticou o que chamou de permanência prolongada de um mesmo grupo político no poder e declarou: “Pode esperar empenho, pode esperar verdade, pode esperar trabalho, luta, determinação. O enfrentamento aí de um grupo que já tem 20 anos do poder, que não fez absolutamente nada. Os números estão aí, falam, segurança, violência, saúde, educação, é tudo errado, a gente já não aguenta mais. Acho que são 20 anos que eles tiveram direito, né? E só errando, errando, errando, errando, só nesse discurso furado e dizer que vai resolver, não resolve nada”.

Ao comentar especificamente a situação da saúde, Jorge Araújo criticou a fila de regulação e afirmou que muitos pacientes aguardam por longos períodos para conseguir atendimento especializado. Segundo ele, a demora compromete diretamente a vida das pessoas que dependem do sistema público. Ao abordar o tema, o vereador declarou: “Você pega aí, os números são absurdos da regulação, por exemplo. Pacientes internados, outros que estão em casa aguardando atendimento e não conseguem. Isso a gente fala de vida. Não são números não, são vidas. São pessoas que vão morrer na fila, aguardando uma cirurgia, aguardando um exame de alta complexidade para saber dos sintomas que o paciente tem ali”.

O parlamentar também levantou questionamentos sobre o funcionamento do sistema e afirmou que, na avaliação dele, o modelo atual pode acabar beneficiando financeiramente o Estado quando o paciente não permanece internado em uma unidade hospitalar. Ao explicar o raciocínio, Jorge Araújo disse: “Estava dizendo aqui agora que, na minha opinião, e que o Estado fale sobre isso, me parece que a fila da regulação é lucro para o Estado. Aí você vai me perguntar por quê? Porque, repare só, você tem um paciente, ele está debilitado, ele está precisando de atendimento no hospital. Ele chega no hospital, ele é atendido. Ó, você tem que fazer aqui uma bateria de exames de alta complexidade. Aguarde na sua casa, que aí o Estado vai entrar em contato com você. Depois de três, quatro meses, o Estado toma conta. Se o paciente está internado, há um custo para esse leito. Quando não está em casa, o Estado não paga absolutamente nada. É isso que eu penso, velho”.

Ainda durante as críticas, o vereador questionou a burocracia para transferência de pacientes entre unidades da rede pública e afirmou que o processo poderia ser mais simples. Ele citou como exemplo situações em que pacientes precisam realizar exames em hospitais diferentes e acabam entrando novamente na fila da regulação. Ao comentar o assunto, afirmou: “Não dá para você estar internado num Hospital Metropolitano de Lauro de Freitas e você precisar de fazer um exame no Roberto Santos, e você ter que entrar na fila da regulação. Qual é a dificuldade de você pegar esse paciente, colocar numa ambulância, levar para uma outra unidade e devolver ele de volta? Não existe”.

Jorge Araújo também mencionou pacientes que percorrem longas distâncias em busca de tratamento e criticou a falta de estrutura para atender essas pessoas de forma adequada. Segundo ele, muitos chegam debilitados e retornam para casa sem o atendimento necessário. Ao abordar essa situação, declarou: “A gente está falando aqui de pessoas que vêm do interior. Pessoas que viajam 600 quilômetros para tomar quimioterapia, tomar radioterapia, chegam debilitadas e vão embora debilitadas. E o Estado acha que isso é bonito, acha que isso está bacana, acha que o enfrentamento à saúde é esse? Não é. Está tudo errado”.

Por fim, o vereador defendeu mudanças profundas no sistema de regulação e afirmou que, em sua opinião, o modelo deveria ser encerrado. Ele também criticou discursos políticos que, segundo ele, não apresentam soluções concretas para os problemas da saúde pública. Ao encerrar o posicionamento, disse: “Chega de conversa fiada. Eu já estou injuriado com isso. Discurso furado, discurso que não resolve nada. Na prática não se resolve nada. É só amanhã e eu vou lá hoje. Então, você que está me assistindo aí, vamos ter essa consciência que a hora e o momento é esse”, questionou Jorge Araújo.

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